quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gata Africana

Há sempre um gato onde quer que eu vá. Desta vez é feminina. A Fiéri, miúda de 8 meses, deixada pela mãe e pelos irmãos que um dia, ainda pequeninos, decidiram fugir para experimentar a liberdade. Não sabemos resultados porque nunca mais voltaram com novidades mas a Fiéri, essa ficou, e sabemos que é uma gatinha a quem ninguém toca.

Branca, com manchas cinza, rabo amarelado e olhos verdes. É linda. Cabeça pequenina, como qualquer gata, pousa as patinhas com a delicadeza felina, sempre uma à frente da outra, aumentando a inveja de muitas senhoras. Pára a olhar para nós com aqueles olhitos lindos. Fecha-os duas vezes seguidas enquanto ainda olha na nossa direcção. Dá uma turra no móvel e mia. Pronto, foi assim que nos enfeitiçou.

Gosta da companhia. Gosta da comida. Gosta que conversemos com ela. Mas festas, nem pensar! Se bem que dá turras por todos os lados enquanto falamos com ela. A questão é que ela deve saber que no dia em que levar uma festa, apaixona-se e não quer outra coisa.
Mas tem medo, muito medo. O que não é de espantar já que aqui não se gosta muito de animais e dos gatos em particular, e fazem-lhes mal com frequência. De modo que ela redobra a atenção de um gato normal. Ouve todos os sons e reage muito a cada um deles para detectar o perigo e se precisar correr, ela desaparece num ápice. O medo é tão grande que no outro dia pousou-lhe uma mosca no lombo e ela mandou um pulo de susto.

Um dia lembrei-me de dar-lhe água limpa numa tacinha. Pela reacção não me admirava que tivesse sido a sua primeira experiência. Desse dia em diante tem sido sempre agradecida. Vem sempre que lhe assobio. Sobe as escadas a correr. E agora até já aparece sem ser chamada, só por me ver na varanda.
Sente-se confortável. Não é assim com toda a gente. Connosco entra em casa, senta-se na carpete, brinca sozinha e de vez em quando, mia-nos como se quisesse dizer o quanto gosta de nós.

Ao fim de uma semana de mimo, já se senta no sofá. Fica a admirar as imagens e os sons da TV. E agora até já adormece lânguida na cadeira da cozinha.

Ontem foi o momento mais engraçado porque decidiu brincar comigo. Enquanto me desafiava a correr e a fugir, era ela quem ganhava sempre. Mas às escondidas ganhei-lhe eu. Preguei-lhe um susto tal que ela deu um salto de quatro patas. Para me desafiar andou a fazer um assalto à minha écharpe que estava tombada no sofá... Ela agarrava-a com a boca e fugia porta fora. O azar da Fiéri é que a écharpe é enorme e eu agarrava-a sempre pela outra ponta. A gata gostou tanto do desafio que não parava de me tentar roubar a écharpe. Subia o sofá, trincava a écharpe com os dentinhos e corria porta fora. Ontem à noite rimos muito com ela. É mesmo esperta. 

Antes de fechar a porta ainda a apanhei de costas e dei-lhe uma festa furtiva e inesperada. Ela não reagiu muito. Até parecia indiferente. Só sei que gostou porque dormiu toda a noite no tapete.

Os animais nem enganam, nem se deixam enganar.