domingo, 12 de agosto de 2012

O Meu Imbondeiro e a Viagem de Regresso


O imbondeiro é uma árvore africana de grande porte, que pode alcançar entre 5 a 25m de altura e até 9m de diâmetro no tronco. Destaca-se pela sua capacidade de armazenamento de água no tronco, que pode ir até 120.000 litros.

Tudo no imbondeiro serve para a sobrevivência do ser humano.

O seu fruto – múcua - num formato da alfarroba, quando estão secos, num formato de manga quando estão bons, sempre pendurados no imbondeiro por pequenas lianas, assemelham-se a grandes lágrimas.

A casca do fruto é utilizada pelas pessoas como tigelas. A polpa e a fibra de seus frutos, assim como as folhas da árvore são curativas. As sementes possuem óleo vegetal, podem ser assadas, moídas e consumidas como uma bebida que pode substituir o café.

Considerada sagrada, derrubar uma árvore que pode viver até 6 mil anos é considerado um sacrilégio em Angola.

A maior parte destas peculiares árvores não têm folhas nesta altura do ano, pelo que parecem tristes. E como descreve Mia Couto, parece uma árvore plantada por Deus ao contrário, com as raízes para cima.

Quando cheguei a África, e encontrei o imbondeiro, parece que viajei para trás no tempo, para as origens. E enquanto cá estive, senti que os dias passaram por mim demasiado rápido, numa vontade própria do tempo a lutar para chegar depressa…

Chegou de novo o dia de partir.

Desta vez viajo de regresso a casa, para abraçar as minhas raízes…

Mas onde estão realmente as nossas raízes? As nossas origens são o nosso passado, ou o que possuímos de maior valor? Para onde regressamos nós quando deixamos para trás as nossas raízes?

Eu acho que Mia Couto não entendeu que o imbondeiro criou raízes noutro lugar, junto aos ramos, quando a sua amada partiu, para a poder cobrir de abraços enquanto ela está ausente. E reveste-se de inúmeras lindas, pequenas folhas verdes, como que a sorrir, sempre que ela regressa. É por isso que toda a gente sabe quando o imbondeiro anda feliz ou triste.

Vou deixar o meu imbondeiro em África, triste, sem folhas...
E é por isso que não sei, se regresso a casa agora...

Ou se só regressarei quando voltar.