quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Alto... e Pára o Baile!

Se pensam que em Angola encontram um povo triste, deprimido pela guerra, e pelas condições de vida muitas vezes deploráveis... desenganem-se. Sorrisos e festa é o que se vê mais naquelas ruas. E que festas! Chamam chauanas a uma espécie de churrascos. Aproveitam os pátios interiores, entre os muros das suas casas, para comerem carnes assadas na hora, beberem muitas cucas - a cerveja angolana, e dançarem muito. A noite toda se for possível.
 
Música alta, kuduros e kisombas são obrigatórios. Nestas chauanas em Angola descobri que tenho mesmo o cú duro. Se cá danço que se farta, lá não consigo abanar o rabinho como eles e elas nem com os treinos de um mês! 

Apesar dos elogios simpáticos das meninas e dos meninos: 'A Carla tem jeito!' 'A moça dança!' Eu considero que francamente estou a anos luz de dançar como eles, talvez a mesma distância que eles estão da civilização. Só com muitos meses, anos, daquilo, e talvez lá chegue um dia!

Mas compreende-se porquê. Aquelas crianças começam a dançar de pequeninos! Passamos nas ruas e vê-mo-los, a abanarem-se ainda mal se põem de pé. Não têm brinquedos. As brincadeiras de rua não são só as mais baratas, mas as mais acessíveis.

De facto, no geral dos angolanos, a música escorre-lhes no sangue! Mas, também digo-vos que nem todos os locais sabem dançar. Houve sempre algumas mulheres e alguns homens que garantiram, e alguns até provaram, não saber dançar mesmo! São as excepções.

Mas quando dançam, é até cairem. Houve uma noite em que o motorista, depois de uma chauana, tentou sentar-se na mota e ía morrendo ali mesmo. Pois, teve de ser escoltado a casa. Não foi da dança concerteza. Mas aquelas cucas!... são duvidosas.

O entusiasmo é enorme. Festa é lá com eles. Todos comparecem, qual religião se tratasse. Filhos? Podem esquecer! A chauana está em primeiro lugar nessa noite. Aliás, o melhor sistema para se conseguir comparência de 100% a uma formação de trabalho, é marcar uma chauana. Falta experimentar se o abandono ao trabalho não diminuiria com uma chauana diária. Isso é que era!

Mas, o entusiasmo tem limites. A determinada altura os colegas do Pedro chamaram-nos e disseram-nos uma pérola inesquecível: "Pedro, agora que vens para Angola, a Carla já não é mais tua esposa! É a nossa esposa!"

Alto e pára o baile!
"Com'é?!" Foi a melhor maneira de aprender a falar como eles! A piadinha dos angolanos! Já viram?! 

Pois essa é a outra onda de Angola. São muitas mulheres. Muito poucos homens. Morreram muitos na guerra, facto inegável. Porém, eles têm um sonho: acreditam que para cada angolano existem 15 mulheres, como diz o Mário, um sobrevivente. É mais ou menos como as 70 virgens para os afegãos, numa versão mais light. A guerra faz mesmo muito mal às cucas das pessoas!

Mas olhem que elas também são frescas para assar! Não são só os homens que são perigosos. Em Angola, Luanda mais concretamente, elas são muito saídas das cascas. Mas muito mesmo. É por isso que uma pessoa tem de ter vigilância sobre o que é seu. Ou então é roubado!...

E não estou a falar de sapatos giros.