terça-feira, 14 de agosto de 2012

De Volta à Cidade da Luz

A chegada ontem a Lisboa foi fabulosa. No avião, ainda no céu, observei o mar, o Rio Tejo, Palmela, o Cristo-Rei, as Amoreiras, as Torres da Expo… e aterrámos.
  
De uma luz sem igual, a primeira coisa que retirei da mala, foram os óculos de sol. É tão linda a nossa cidade da luz.
Fui recebida com calor e muitos sorrisos e abraços no aeroporto de Lisboa. De facto é maravilhoso estar de volta!

Nas ruas o trânsito de uma ordem fenomenal, até faz confusão. Já tinha saudades de ver conduzir com tanta beleza, ordem e civismo. Se alguém me disser mal da condução em Portugal, ficam desde já avisados, que é imediatamente recambiado para África!

A luz é imensa. Se o Sol brilha para todos, aqui ele ilumina de uma luz clara sem igual. É branca, reflecte na calçada portuguesa e espalha-se por todo o lado.

A viagem foi deliciosamente escolhida pela Ponte Vasco da Gama pelo sogro, que conduziu exemplar como sempre, até Palmela. O Parque das Nações e a Ponte que condizem, com a paisagem futurista, projecto da Expo, mostram-me uma cidade fabulosamente avançada. Assim como Luanda deseja ser…

E recordo as palavras do Hélder quando me disse uma noite em Luanda, numa chauana (ainda vos vou contar um destes dia o que são chauanas) ‘Angola quer imitar Portugal em tudo, até no código penal!’ Mas a verdade é essa, Luanda está a surgir como uma cópia do nosso país. Daí a mão-de-obra estar a ser recrutada de cá. Precisam de nós mais como professores. Tanto que têm de aprender, porém.

As primeiras transacções comerciais cá e eu sinto uma felicidade extrema. Levar o carro à inspecção e ser atendida por uma portuguesa na recepção, e por técnicos portugueses. E no café ‘desejam mais alguma coisa?’, perguntou a senhora. ‘Oh sim, por favor, um copo de água!’ O que eu gosto de beber o meu café e um copo de água. Saudades. Coisas simples mas que em Angola não se podem fazer! Nem pensar em beber água da torneira! ‘Quanto lhe devo?’ pergunto, ‘Um Euro e dez cêntimos.’ E eu paguei e sorri. Foi tão satisfatório voltar a pagar em Euros. ‘Cheguei a casa’, é o meu pensamento.


Estranhei logo o primeiro estabelecimento em que entrei em Palmela, a padaria. Estava um cliente a ser atendido por uma portuguesa. E na nossa vez, nem foi preciso repetir o pedido. Em Angola eu tenho de repetir tudo o que peço pelo menos mais uma vez… e às vezes, muitas vezes, sou tão questionada que acabava por responder ‘deixe lá! Obrigada!’, desistia e ia embora.

Há aquelas pessoas que falam mal português. Mas, no meu caso, parecia que eu falava bem demais! Muitas vezes não nos entendem. A primeira coisa portanto que aconselho os angolanos a aprenderem, é a nossa língua.

Nesta altura, devem de estar os estimados leitores a pensar de mim: 'que horror! está a ser tão mazinha!'

Devo portanto partilhar convosco a minha experiência ao aterrar em Lisboa. Ouvi um senhor angolano, vestido de executivo, perguntar a um jovem angolano, 'estás cá em Lisboa a estudar?! Muito bem! E depois vais trabalhar para Angola, que é para nós dizermos aos tugas de uma vez por todas 'vá, vão lá embora de volta para o vosso país!'... ouvi isto, passei por eles, inclinei a cabeça e sorri. São muito poucas as pessoas que identificariam no meu irónico sorriso amarelado o meu pensamento, 'ainda faltam muitos anos para esse fenomeno acontecer!'


Mas, é uma sensação ainda de vazio… é como se estivesse descalça de novo… mas desta vez de uma outra forma, porque mais do que sapatos... falta uma parte de mim.

Eu só regresso mesmo a mim... daqui a um mês e uma semana…

São uns longos quarenta dias que vão custar uma eternidade a passar!