domingo, 29 de julho de 2012

De Caboledo à Barra do Kwanza

Ainda bem que o José Carlos teve de ir em trabalho a Lobito porque aproveitámos a boleia do David e fizemos-lhe companhia até metade do trajecto – Caboledo – almoçámos lagosta e regressámos ainda antes do pôr-do-sol.

Não é seguro vir de noite. A estrada é má apesar de ter vindo a ser melhorada garante o David que há 3 anos esta estrada era ainda de terra batida. Vai sempre junto à margem e tem uma vista muito bonita, descemos acompanhando o mar.

Tudo se torna mais bonito à medida que nos afastamos de Luanda. Começa a deixar de haver as enormes quantidades de lixo que os habitantes da cidade e das periferias fazem. Grave problema desta cidade.

Na ponte da Barra do Kwanza admiramos o agressivo tanque, que recorda a guerra ainda mal acabada. E de repente surge um enorme macaco preto a deslocar-se todo esguio num tronco de uma árvore, parecia um puma a desfilar que pára por segurança para nos despistar quando percebe que foi avistado. 

Acabou por ser apanhado em duas fotografias apesar da sua timidez e tentativas de fuga.

Caboledo é magnífico. A cor do mar é esverdeada e quando o olhamos de frente ele perde-se de vista. O Cabo fecha-nos contra o mar numa longa, alta e distante falésia, absurda e deleitável. É um cabo que se impõe ao mar. Sustemos a respiração ao observá-los e a tentar perceber qual dos dois ganha o lugar de grandioso que disputam diariamente.

A luz do sol tapada com a névoa suave que inunda os trópicos nesta altura do ano, o cacimbo, torna a praia ainda mais mágica.
Almoçamos no Doce Mar, um dos dois resorts e ficámos a conversar e a apreciar a paisagem na esplanada debaixo dos toldos de palhinha.
Está uma temperatura agradável. Apesar de não ser a estação quente estão sempre em média 27º Celsius. Para mim é perfeito. Nem muito quente, nem muito frio.
No regresso voltamos pela mesma estrada e encontramos dois macaquinhos de cor bege na ponte da Barra do Kwanza a comerem pedaços de pão que alguém lhes deixou. Regalam-se com o presente e nós com eles.
Fazemos a longa estrada de 3 Km sempre pela berma. Foi das estradas mais difíceis que já fizemos pois está estrategicamente esburacada e ainda não foi recuperada do tempo de guerra. Mas valeu a pena passar aquelas casitas humildes das povoações piscatórias, pobres mas mais organizadas que os musseques das cidades, pelos porcos pretos e galinhas que se passeiam em círculos à procura de comida.
Observámos a vegetação verdejante e variada. Notam-se árvores tropicais e no meio o imenso Rio Kwanza. Ficámos parados a observar no deck de madeira do Kwanza Lodge e a imaginar os crocodilos a nadarem furtivos naquelas águas.
Aguardávamos que alguém nos viesse trazer um café. Mas acabámos por vir embora antes do sol se pôr, sem café, nem crocodilos. Só memórias. Boas memórias.
Por detrás de todo um enorme esforço para recuperar das marcas da guerra, Angola tem também paisagens extasiantes.